Fitochapecó distribui medicamentos naturais através SUS

15/12/2010. Atualizado em 15/12/2010 16:36.

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Uma parceria entre a Unochapecó e a prefeitura de Chapecó passou a distribuir, através do Sistema Único de Saúde (SUS), plantas medicinais e a partir de março também estarão incluídos no processo produtos fitoterápicos manipulados. A iniciativa beneficia usuários do SUS, mediante receita de prescrição médica ou odontológica, fornecida nas unidades de saúde da prefeitura. Já a entrega dos medicamentos, sem custo para o paciente, ocorre na Farmácia Escola Unochapecó.

A oficialização do início do projeto foi realizada nesta quarta-feira, 15 de dezembro, em solenidade na farmácia escola, com a presença do reitor Odilon Luiz Poli, do secretário Municipal da Saúde, Nemésio Carlos da Silva, pesquisadores, docentes, alunos, médicos, farmacêuticos e pacientes que receberam produtos originários de plantas medicinais. Conforme o reitor, o projeto “é uma mostra da universidade empreendedora, que articula sua ação com o poder público”. O dirigente indicou, também, que o Fitochapecó terá a parceria de outras entidades e empresas, de forma a consolidar a oferta, à população, de produtos alternativos e com preceitos de inovação.    

 

 fitochapeco

Para o secretário Municipal da Saúde, o Fitochapecó proporciona nova opção na rede pública, “mediante produtos colocados de forma responsável, com eficácia, segurança e qualidade”. Nesse sentido, indicou que as plantas medicinais e os fitoterápicos podem ser utilizados como medicação coadjuvante à principal ou como medicação principal, a critério do médico ou odontólogo. Segundo Nemésio, a atuação conjunta entre a prefeitura e a universidade “integra duas instituições de credibilidade e agrega a visão da produção local, com o selo de segurança da Unochapecó”.

O que é o Fitochapecó  

Através da fitoterapia são utilizadas plantas medicinais em preparações farmacêuticas, como chás, cremes, xaropes, pomadas e cápsulas. Inicialmente o Fitochapecó, que já recebeu investimentos da ordem de R$ 110 mil, disponibiliza as chamadas drogas vegetais, através de chás de alcachofra, camomila, erva doce, malva, melissa e sene. A partir de março, sempre mediante receita, haverá a disponibilidade de fitoterápicos como cápsulas de espinheira santa e de hipericum, creme de calêndula, pomada de confrei e xarope de guaco. Com a finalidade de orientar a população, o projeto inclui trabalho de capacitação dos agentes de saúde, para que conheçam os medicamentos e suas funções.

O projeto Fitochapecó alia os benefícios de algumas plantas, cientificamente comprovados em laboratório, às receitas expedidas pelos médicos e dentistas do SUS, com o reforço no tratamento de doenças de forma natural, reduzindo a utilização de medicamentos industrializados, não necessariamente substituindo-os. “O grande diferencial do Fitochapecó é que nele estão contempladas apenas espécies medicinais que foram exaustivamente estudadas quanto à eficácia e segurança, que passam por rígido controle de qualidade na farmácia escola e nos laboratórios da Unochapecó”, afirma o professor e pesquisador Walter Antonio Roman Júnior, coordenador do projeto na Unochapecó.

Historicamente utilizada na região, a fitoterapia faz parte de diversas culturas, incluindo a indígena. Muitas famílias carregam o conhecimento antigo a respeito de chás e cremes e essa tradição é repassada a cada geração, com o risco de ser distorcida com passar do tempo e a possibilidade de causar danos à saúde pelo uso inadequado. Conforme a farmacêutica Terezinha Bisognin, coordenadora técnica do projeto na prefeitura, “a utilização de plantas medicinais com orientação médica e de forma adequada pode trazer inúmeros benefícios para a saúde”.

Para a implantação do projeto, inicialmente, as plantas são adquiridas de empresas, mas futuramente a idéia é credenciar e capacitar produtores rurais para a produção dessas plantas, através de cooperativas, como a Cooperalfa, e de secretarias de agricultura. A Unochapecó já possui um espaço na Epagri, também parceira do projeto, e que poderá ser utilizado como local de secagem e beneficiamento das plantas produzidas por agricultores da região. Já a Secretaria Municipal da Saúde tem intenção de buscar recursos no Ministério da Saúde, que já disponibiliza verbas para a área da medicação fitoterápica.

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