Transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)

26/08/2012
Por: v.

TDAH

 

 O TDAH é um problema bastante comum entre crianças e adolescentes, com componente genético, havendo evidências de que ocorra em 3% a 5% das crianças nas várias regiões do mundo onde já foi pesquisado. Em mais da metade dos casos, este transtorno pode seguir o indivíduo na vida adulta, embora com sintomas menos evidentes. 

Sobre o TDAH

O transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) é um distúrbio neurobiológico, com forte influência genética, que se inicia na infância e pode persistir até a vida adulta. O transtorno é caracterizado por graus variáveis de desatenção, hiperatividade e impulsividade. O diagnóstico de TDAH é feito da mesma forma que outros diagnósticos em medicina. Não se trata de “ter” ou “não ter”, mas, sim, “de quanto” você tem. Todas as pessoas têm açúcar no sangue, umas mais, outras menos, mas algumas têm muito mais que todo o resto da população; dizemos então que essas pessoas têm diabetes. O mesmo vale para a pressão arterial: todos têm um determinado nível de pressão, mas algumas pessoas sofrem de hipertensão. Do mesmo modo, toda criança é um tanto inquieta, impulsiva e desatenta, mas algumas têm um grau muito mais elevado que o observado em outras crianças da mesma idade; dizemos então que elas são portadoras de TDAH

Crianças com diagnóstico de TDAH são geralmente reconhecidas na escola e em casa. Como o próprio nome diz, o TDAH é caracterizado por sinais marcantes de desatenção, inquietude e impulsividade. Contudo, muita calma antes de pensar que seu filho - ou mesmo você - pode ter TDAH. Algumas pistas, podem levá-lo a consultar um médico, uma delas é se os sinais de desatenção, hiperatividade ou impulsividade já vêm se prolongando por vários meses. É importante saber que desatenção, hiperatividade ou impulsividade, principalmente quando não associadas, podem ocorrer em crianças sem TDAH, ou ser resultado de diversos problemas na relação das crianças com seus pais e/ou colegas, de sistemas educacionais inadequados ou mesmo estarem associadas a outros transtornos comuns na infância e adolescência. Por isso, o diagnóstico é clínico e o médico terá que saber muito a respeito do paciente, inclusive se os sinais e sintomas se manifestam igualmente nos vários ambientes da vida, como, por exemplo, na escola ou no trabalho e em casa. Assim, confie apenas no diagnóstico de seu médico sobre a presença ou não de TDAH antes de iniciar qualquer tipo de tratamento, medicamentoso ou não.

Conversando com seu médico

Ao falar com seu médico, você terá a certeza de que, para o diagnóstico de TDAH, é necessário uma avaliação cuidadosa de cada sinal e sintoma e não somente a presença deles. Por exemplo, uma criança pode ter dificuldade de seguir instruções por um comportamento de oposição e desafio aos pais e professores, caracterizando muito mais um transtorno opositor desafiante do que TDAH. Além disso, existem três formas de apresentação de TDAH: aquele com predomínio de desatenção, aquele com predomínio de hiperatividade/impulsividade e onde haja a combinação dos três.

Redobre sua atenção

Existe uma alta taxa de associação entre TDAH e outros transtornos de conduta, assim como entre TDAH e depressão (15% a 20%), transtornos de ansiedade (em torno de 25%) e transtornos da aprendizagem (10% a 25%). Da mesma forma, é muito comum a presença de TDAH junto a outros problemas como abuso ou dependência de drogas na adolescência e, principalmente, na idade adulta (9% a 40%).

No adulto, a prevalência de TDAH varia de 2% a 4% e também pode trazer complicações para seu portador, como um aumento do número de acidentes de carro, perda de emprego e até mesmo divórcios.

O tratamento do TDAH envolve uma abordagem múltipla, englobando desde intervenções medicamentosas  até sociais e psicológicas. A seguir, vamos dar uma olhada rápida em como o TDAH deve ser abordado junto aos pais, professores e familiares e quais os principais aspectos para se chegar ao diagnóstico de TDAH na idade adulta.

Enxergando o TDAH com vários olhos

O tratamento do TDAH é multidisciplinar, ou seja, envolve vários profissionais, com diferentes abordagens. O tratamento medicamentoso, associado a essas diferentes abordagens, tem melhorado significativamente a vida do portador de TDAH. Quanto às crianças, o envolvimento dos pais é essencial. Estes devem receber informações claras e precisas e serem orientados para a utilização de técnicas comportamentais que auxiliarão a criança na organização e planejamento de suas atividades. No caso dos adultos, o tratamento medicamentoso associado a terapias comportamentais também tem trazido melhoras significativas à vida daqueles com TDAH.

Enfim, deve-se sempre ressaltar que o tratamento do TDAH é individualizado, pois, apesar do diagnóstico de TDAH ser comum a todos, as dificuldades e potencialidades variam bastante entre os indivíduos.

O dia a dia na escola: Uma vez feito o diagnóstico de TDAH, intervenções no ambiente escolar também são importantes e devem ter como foco o desempenho escolar. Nesse sentido, o ideal seria salas de aula com poucos alunos e propostas de tarefas não demasiadamente longas e que pudessem ser explicadas passo a passo. É importante que o aluno com TDAH receba o máximo possível de atendimento individualizado. Ele deve ser colocado na primeira fila da sala de aula, próximo à professora e longe da janela, ou seja, em local onde ele tenha menor probabilidade de se distrair. Muitas vezes, as crianças com TDAH precisam de reforço de conteúdo em determinadas disciplinas. Outras vezes, é necessário um acompanhamento centrado na forma do aprendizado, como, por exemplo, nos aspectos ligados à organização e ao planejamento do tempo e de atividades.

Adulto também pode ser portador de TDAH

Até recentemente, acreditava-se que os sintomas de TDAH desapareciam com a chegada da idade adulta mas, o TDAH é um transtorno que tem início na infância e estudos realizados em diferentes países demonstraram que os sintomas permanecem no adulto, em mais da metade dos casos. Por outro lado, o TDAH é frequentemente pouco detectado nos adultos, pelo fato de ainda não ser um diagnóstico amplamente difundido. Todavia, saiba que o TDAH é um transtorno que tem início na infância e que não começa na vida adulta.

Seguindo o tratamento recomendado pelo médico

Para o efetivo controle do TDAH será preciso seguir todas as orientações médicas. Essas muitas vezes incluem, além de tomar a medicação prescrita de forma contínua, adotar algumas mudanças no estilo de vida. Nunca deixe de seguir as orientações do médico. A disciplina é a melhor receita para sua qualidade de vida

 

 

Referências bibliográficas

1. Mattos P et al. Consenso Brasileiro de Especialistas sobre Diagnóstico do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade em adultos (TDAH). http://www.tdah.org.br/consenso_final.pdf.

2. Rohde LA et al. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade. Rev. Bras. Psiquiatr. vol.22  s.2 São Paulo Dec. 2000.

3. O que é o TDAH? http://www.tdah.org.br/oque01.php.

4. TDAH – Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade. Associação Brasileira de Déficit de Atenção (ABDA)

 

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