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Dia das Mães às avessas

Histórias

*Texto Jessica De Marco

 

Ser mãe é se virar nos 30. Sempre ouvi essa frase, mas fez sentido mesmo quando me tornei mãe. Apesar de extremamente recompensador, o dia a dia materno não é fácil. É uma loucura aliar os cuidados com a criança, o trabalho, os serviços domésticos, e tantas outras coisas que surgem no caminho. Mas tudo isso se intensificou, e muito, com a vinda da pandemia por Covid-19. Tudo mudou! Nossa rotina virou do avesso. Acho que agora, uma mãe tem mesmo é que se virar nos 60. 

Theodoro
Theodoro tem 11 meses

No meu caso, como mãe de primeira viagem, tudo já era um grande desafio. Então, enfrentei essa quarentena como mais um. Confesso que no início foi muito difícil transformar minha casa, também, em um ambiente de trabalho. Afinal, o Theodoro, de apenas 11 meses, não entende que eu estou trabalhando durante o dia. Ele quer colo, atenção, mamar. E não pense que as demandas da profissão diminuíram só porque não estou indo presencialmente à Unochapecó. Pelo contrário! Parece mesmo é que duplicaram. E assim, ao mesmo tempo que parece uma eternidade ficar confinada em casa, entre computador, celular, fogão e fraldas, o dia passa voando. 

Se com um filho é difícil, imagine dois. Pois essa tem sido a rotina da coordenadora do curso de Fisioterapia da Unochapecó, professora Indiamara Silvani. São muitos os desafios dessa nova etapa da vida, afinal, para quem é professor, foi preciso se reinventar também na profissão, com as aulas que passaram a ser remotas.

“Seguir uma rotina neste momento está difícil, pois somos mães 24 horas por dia e o trabalho está nos exigindo estar disponível praticamente este mesmo tempo. É difícil explicar para uma criança que a mamãe está em casa mas trabalhando externamente e que, naquele momento, não pode atendê-lo”, comenta. 

Lorenzo tem quatro anos e Lorena apenas um

 

Seus filhos ainda são pequenos. Lorenzo tem quatro anos e Lorena apenas um. O que torna o papel da mãe ainda mais importante no dia a dia. “O Lorenzo quer atenção para brincar, jogar atividades da escola e muitas vezes ele precisar abrir mão dessa atenção para a mana, que ainda exige muito por ser um bebê”. Com tudo isso, a professora não tem dúvidas que, mais do que nunca, ficou claro o quanto as mães precisam se virar nos 60 para dar conta de tudo, com sabedoria e amor. “Nossa carga horária é exaustiva, mas seguimos com alegria e amor no coração quando olhamos para aqueles rostinhos que só querem atenção, amor e carinho”. 

Mamãe Micheli e a filha Laura

Quem é mãe vai concordar comigo. É difícil? Sim. Mas vale a pena. “Quando nasceu o meu primeiro filho conheci o maior e mais forte amor, e quando a Lorena nasceu soube que este amor se multiplica. O desafio tem sido diário, ajustes entre trabalho, maternidade e lar, diante deste cenário de incertezas e medos. Porém, eu acredito que tudo vai passar e, apesar das circunstâncias, poder estar por mais tempo com eles faz valer a pena todo e qualquer esforço”, finaliza. 

 

A 'volta' da licença maternidade

Faz poucos dias que a assistente contábil da Unochapecó, Micheli Aparecida de Ramos, voltou da licença maternidade. Mas voltou, quem sabe, não seja a palavra certa para usar, pois em meio a pandemia, ela se obrigou a continuar em casa, sem retornar ao ambiente de trabalho, que é o setor de Contabilidade da Universidade. 

Por isso, teve também que adaptar sua rotina, que inclui uma filha de seis meses, a Laura. “No dia a dia é bem corrido, menos tempo com meu anjinho, pois ela fica na tia o dia todo para eu conseguir trabalhar, pois preciso de concentração. É difícil ficar longe”, explica. Ela confessa que tentou ficar em casa com a filha, mas como seu trabalho envolve números e contas, viu que não seria possível. “Senti que não consegui dar atenção pra ela, deixei ela ouvindo as musiquinhas na televisão”, comenta.

Maria Tereza com a mamãe Angélica

A coordenadora do curso de Jornalismo, professora Angélica Lüersen, também vive a mesma situação. Ela voltou esta semana de licença maternidade e também teve que se readaptar nesse momento de pandemia, que não era esperado por ninguém.

“O cotidiano é cheio de desafios e de alegrias e, nesse contexto, viver o equilíbrio entre o trabalho e a maternidade não é simples”.

 A ideia inicial era deixar a filha com uma cuidadora enquanto trabalha, mas com a pandemia ela achou melhor mudar os planos. Sorte é que a professora tem uma rede familiar que apoia e auxilia no cuidado e atenção à Maria Tereza, sua filha, também de apenas seis meses. “Ao passo que tenho mais tempo para estar com ela, e isso é muito bom, dividir o espaço das comidinhas, brincadeiras e amamentação com o trabalho requer responsabilidade e equilíbrio. Tem sido um tempo de descobertas”, reflete.

No fim das contas tudo que estamos enfrentando é uma grande oportunidade para nos tornarmos ainda mais fortes e melhores enquanto mãe, mulher, esposa, profissional, amiga... Nossa vida nunca mais será a mesma depois disso tudo. E que bom! É sinal de que entendemos o recado que a vida está nos passando.  Agora dá licença que o Theodoro está chorando.

 

*Jornalista - Assessoria de Imprensa Unochapecó

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