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Protagonistas nas engenharias

Histórias

Texto Ana Vertuoso*

 

Há mais de cem anos, a luta de milhões de mulheres ao redor do mundo é a mesma. Poder ocupar diferentes espaços, ser respeitada e ter a liberdade de ser quem quiser. A busca pela igualdade de gênero ainda parece longe de chegar ao fim, porém, no Dia da Mulher (08/03), é importante lembrar que muito já foi alcançado. No mercado de trabalho, por exemplo, as mulheres têm conquistado espaço em diversas áreas. 

Esse é o caso da engenharia. Por muito tempo conhecida como uma exclusividade masculina, hoje é a realização de um sonho para cada vez mais mulheres. O Censo da Educação Superior 2017, realizado pelo Quero Bolsa, comprova esse dado. De acordo com a pesquisa, as mulheres são maioria entre os ingressantes em cursos da área. "A procura aumenta a cada ano. Atualmente, nos cursos de engenharia, temos 50% de público feminino e 50% masculino, muito diferente do que acontecia 10 anos atrás", explica a coordenadora do curso de Engenharia Civil da Unochapecó, professora Marieli Biondo. 

De acordo com ela, além de conquistarem mais espaço, as mulheres têm se destacado em diferentes segmentos. "Antes, atuavam principalmente em setores de projeto e planejamento. Hoje, estão à frente de equipes em escritórios e obras e assumem papéis de gerência". Mesmo diante de desafios constantes, as mulheres não têm deixado de lutar pelo que querem. Ao nosso redor, temos diversos exemplos de engenheiras que estão conquistando o seu espaço no mercado. Agora você vai conhecer um pouco mais sobre as mulheres que se tornaram protagonistas de seus cursos, ao serem escolhidas para representar suas áreas de atuação nos materiais de divulgação da Universidade. 

 

Darlis Devise, egressa de Engenharia Civil

Sempre soube que eu era das exatas e queria me tornar uma mulher poderosa. No início, não tinha certeza de que aquela era a escolha certa, mas ao longo do curso me identifiquei e hoje sou muito feliz. As pessoas acham que nós mulheres somos fracas para a profissão, mas eu discordo, pois em nenhum momento o fato de eu ser do sexo feminino me impediu de realizar minhas funções com organização e excelência. Todas as mulheres são fortes e capazes de desempenhar as atividades que quiserem. Assim como qualquer outra coisa na sociedade, se o respeito fosse cultivado, principalmente para com as mulheres, o mundo seria quase perfeito.

 

Samara Vanin, acadêmica de Engenharia de Alimentos

Escolhi o curso por ser uma das áreas mais abrangentes da região Oeste, por conta das agroindústrias que estão em constante evolução, se expandindo cada vez mais e sempre precisando de profissionais novos e capacitados. A Engenharia de Alimentos é uma área pouco procurada, mas que gera uma empregabilidade gigantesca. Me sinto muito honrada em estar atuando nesta área e conseguindo cumprir com todos os objetivos propostos. A cada dia que passa me sinto mais preparada para enfrentar os desafios. Apesar de tudo, acho que a força feminina vem tomando cada vez mais o seu espaço e quebrando todas as barreiras que foram impostas, mostrando que é capaz de atuar em diversos segmentos.

 

Greici Morandin, acadêmica de Engenharia de Produção

Escolhi Engenharia de Produção pelo perfil multidisciplinar, por ser um curso que pode alinhar conhecimentos técnicos de máquinas e equipamentos ao entendimento do ser humano e suas relações de trabalho. A presença das mulheres na engenharia ainda é reduzida devido ao preconceito, por se acreditar que a profissão é masculina. Mas eu acredito que se uma mulher quer ir pro chão de fábrica é porque ela é tão capaz quanto qualquer homem e deve ser valorizada. Ao meu ver o principal desafio é ter que provar todos os dias que somos capazes e inteligentes. O que julgo como algo errado, pois o gênero não define isso.

 

Mariana Sperry Bedin, acadêmica de Engenharia Elétrica

Sempre quis entender como poderíamos criar uma energia renovável, como toda tecnologia presente atualmente foi criada e como funcionava. Porém muita gente me dizia, 'só tem homem', 'é muito difícil', 'procura outra coisa'. Até pesquisei outras profissões, mas sempre voltava na mesma opção. Se eu não começar e se mulheres como eu não começarem a estudar Engenharia Elétrica, sempre seria uma profissão masculina e não iríamos conseguir nosso espaço. Acredito que o maior desafio que as mulheres enfrentam na área é a diferença salarial e ter que provar que você sabe o que está falando. Aos poucos, acredito que esse pré-conceito vai ser mudado.

 

Sabrina Dal Vitt, egressa de Engenharia Mecânica

Passei minha infância toda dentro de uma oficina mecânica. Meu pai sempre trabalhou na área e eu sempre tive admiração pelo trabalho dele, pelos desafios diários e também pelo sentimento de realização em desenvolver algo e, posteriormente, ver a ideia se tornando real, funcionando e facilitando a vida das pessoas. Acredito que tem que partir da mulher mostrar que é capaz de desempenhar as atividades destinadas pela profissão e se mostrar forte e corajosa para filtrar os comentários que contribuem para que ela cresça e ignorar aqueles que tem a intenção de desencorajá-la. Se você ama o que faz, nada te faz dar um passo para trás. 

 

Natália Bracht Malagutti, egressa de Engenharia Química

Eu sempre quis trabalhar com algo em que pudesse ser curiosa, criativa e pudesse transformar coisas. O curso de Engenharia Química é uma exceção às outras engenharias, uma vez que a maior parte dos acadêmicos são mulheres. Isso trouxe uma sensação de pertencimento àquele ambiente. Porém, conforme fui entrando no meio acadêmico e no mercado de trabalho, ficou cada vez mais claro que ainda não somos maioria. Constantemente somos subestimadas e nossa capacidade é questionada em virtude de preconceitos vindos de estereótipos que não necessariamente condizem com a realidade. Já vi anúncio de vaga que pedia que o funcionário fosse preferencialmente homem, porque mulher conversava demais. Nós mulheres temos uma longa caminhada para sermos valorizadas e reconhecidas.

 

*Estagiária sob supervisão de Jessica De Marco

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