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Dez anos de Design: uma história com muitos rostos, traços e personalidades

Educação

Texto Alana de Bairros e Tayvon Bet*

 

Camaleões são animais conhecidos por sua variada paleta de cores e capacidade de adaptação. Em algumas culturas o animal representa mudança, flexibilidade e evolução pessoal. ‘Camaleão’ também pode ser um adjetivo para referir-se a pessoas multifacetadas, como um ator que representa diversos personagens, um bailarino que dança muitos ritmos e até um designer que trabalha com as pluralidades de um mercado de trabalho dinâmico, diverso e abrangente. São profissionais versáteis e multidisciplinares, que assim como o camaleão, mesmo mantendo a essência, podem ter diversas encarnações e exploram a diversidade. O curso de Design da Unochapecó completa dez anos formando esses profissionais para aproveitarem as variadas possibilidades de atuação.

Uma década em que se construiu a história de sucesso e influência do único curso de Design de Chapecó. Conforme o professor Hilario Junior dos Santos, que esteve à frente da implementação do curso na Instituição e foi o primeiro coordenador, o objetivo era preencher a lacuna do município, que não oferecia formação superior na área. “Durante essa trajetória, o crescimento do curso em número de estudantes, a visibilidade e as metamorfoses para acompanhar as tendências são visíveis. A área sempre está em constante evolução e o currículo do curso acompanha isso. Prova disso é que a procura dos estudantes só cresceu nestes dez anos”, comenta.

O recorde de matriculados foi atingido em 2020. Segundo o atual coordenador, professor Henrique Telles Neto, isso é resultado do grande trabalho em equipe desenvolvido pela comunidade acadêmica.

“O curso vem se fortalecendo e sendo reconhecido. Já conseguiu estabelecer seu lugar tanto na Unochapecó, quanto na região. A gente olha pro mercado de trabalho regional e vê que a maioria dos profissionais são formados aqui. É muito legal ver esse legado e ficamos orgulhosos de ver tanta gente boa que nós formamos”, destaca.

Evolução constante é característica do curso, que se prepara para inserir a 6ª matriz curricular no próximo ano. No início da trajetória, o foco era em design de entretenimento. Na 3ª matriz, passou a abranger o design de produto, e, em 2017, foi oferecida a área de games. Hoje, os estudantes têm uma base geral da profissão no primeiro ano de graduação, e a partir do 3º período, cada um tem autonomia para escolher a área que deseja aprofundar o conhecimento: Design de Games, Produto e Visual. Segundo o professor responsável pela formulação da última matriz, Rodrigo de Oliveira, a mudança possibilitou a customização da experiência acadêmica.

“Com isso, multiplicamos a quantidade de estudantes e aumentamos o curso. Podemos dizer com bastante segurança que temos um nível de satisfação muito legal, os acadêmicos gostam de estar no curso que estão”, ressalta. 

Semanas acadêmicas, aulas integradas e viagens de estudo são organizadas anualmente com o intuito de possibilitar uma formação crítica, cidadã e cultural. Os oito semestres de curso totalizam 2.400 horas de disciplinas que desenvolvem e exploram a inteligência, metodologia, tecnologia, flexibilidade, diversidade, audácia, prototipação, imersão, autenticidade e irreverência. Atualmente, 145 estudantes estão matriculados, e o curso já formou 110 designers. 

Janessa Cipriani Gral graduou-se em 2014 e explorou os rumos do empreendedorismo. Abriu uma agência de Publicidade e Propaganda em 2016 e hoje está à frente de duas empresas. “Eu acreditava em uma forma diferente de fazer marketing, então optei por trabalhar em casa para algumas empresas, mas o negócio se tornou grande e precisei contratar pessoas e empreender”, conta. Janessa relata, ainda, a satisfação por ter escolhido o curso de Design da Uno. “Foi fundamental para minha carreira, ele me fez chegar onde estou hoje”. 

Já a egressa Dani Tartas, também formada em 2014, sempre gostou da área de desenhos. Assim que soube do curso e de sua grade curricular, não teve dúvidas em cursá-lo. Hoje trabalha com marketing digital, criação de identidades visuais e tem sua própria linha de desenhos realistas de pets, trabalho que divulga no Instagram. Para ela, as aulas práticas do curso a ajudaram no desenvolvimento dos processos criativos, aprendizados que carrega e utiliza até os dias de hoje na profissão.

A trajetória dos estudantes complementa a história da primeira década do curso, que atua com o propósito de formar designers que colaborem para projetar o país a partir da profissão. O professor Henrique ainda menciona o orgulho da qualidade oferecida, reflexo da paixão pela profissão.

“É muito importante reconhecer nossos pontos fortes para tomar melhores decisões no futuro e continuar nos consolidando como um curso de referência. Agora é olhar para o futuro e focar em fazer um curso que seja reconhecido nacionalmente, para que a gente possa marcar os 20, 30, 50 anos contribuindo com a formação de Design no Brasil”.

 

Escritório de Design

Criado em 2011, o Escritório de Design é uma conquista importante e o orgulho do curso. Para muitos, é local das primeiras experiências profissionais, por estimular a confiança e a criatividade. Lá, os acadêmicos criam desde trabalhos gráficos, impressos, ilustrações, sinalizações, arquivos tridimensionais, diagramações e até podem atuar como social media. Assim, o espaço proporciona diferentes possibilidades para um futuro designer no mercado de trabalho.

As equipes que atuaram dentro do Escritório sempre foram dotadas de características positivas. Para Caroline Guindani, egressa do curso que atuou por quatro anos como técnica do Escritório, as equipes ali formadas sempre se destacaram pela multidisciplinaridade, versatilidade e a capacidade de adaptação. Isso, devido a empatia com os clientes e a sabedoria de aprender com os próprios colegas e professores.

“Todos os momentos eram marcantes ali. Sempre fui para o Escritório animada e disposta, pois sabia que de alguma forma meu trabalho poderia estar impactando na vida de um estagiário ou estudante”, comenta.

Os projetos e tarefas desenvolvidos dentro do Escritório são sempre pensados por diversas cabeças e executados por várias mãos. Isso mostra o quão coletivo é o dia a dia de um designer, e o Escritório colabora para que os acadêmicos aprendam isso logo cedo e na prática. Para Sabrina Machado, estagiária do Escritório desde outubro de 2019, tudo é levado em consideração na hora do trabalho. “Na equipe todos podem expressar suas opiniões, as ideias são ouvidas e adaptadas”, ressalta.

Sabrina conta, ainda, sobre uma memória que guarda com carinho, fruto de seu tempo de estágio. “Lembro que passei várias tardes conversando com a equipe, sentada na mesa redonda que temos no escritório, enquanto fazíamos os crachás e outros materiais impressos para a Vértice (Semana Acadêmica). Me senti no melhor lugar do mundo”, conclui.  

O Escritório fica localizado no segundo andar do bloco F

Rakel Tourinho Lopes, formada em 2017, trabalhou no Escritório durante o terceiro e quarto período da graduação e foi lá onde teve sua primeira experiência com a profissão, que considera positiva e edificante. “Eu vejo que é um ponto de partida muito bom, uma grande vitrine para os acadêmicos e uma iniciativa muito legal do curso de proporcionar esse contato com o mercado de trabalho pela primeira vez, para que não saiam ‘crus’ da Universidade”, relata.

As paredes do escritório cheias de traços e cores são a prova de um espaço aberto e livre, que se torna abrigo para os estudantes e outros membros do curso. Por ali já passaram diversos estagiários e alunos, todos potencializando suas jornadas como futuros designers. É um local para aprender com os erros e reaprender se necessário. Um local que marca para sempre a história dos profissionais.

 

Centro Acadêmico

O Centro Acadêmico (CA) de Design é uma entidade estudantil que representa o corpo discente do curso. Suas funções são diversas, dentre elas a de organizar atividades extracurriculares, recepcionar os calouros e até pensar em atividades culturais como exibições de filmes e feiras. Atividades essas que o Centro vem realizando desde 2014, apesar da entidade ter sido formalizada em 2015. 

O apadrinhamento é quando os calouros recebem um padrinho

Em 2019, o grupo organizou a recepção dos calouros e de todas as turmas de comunicação, o apadrinhamento, o Emo Day e a festa de Halloween. Neste ano, o CA freou suas atividades devido ao novo coronavírus, mas ainda assim, houve o apadrinhamento dos calouros e uma apresentação da nova gestão. Além disso, a feirinha, outra atividade desenvolvida pelo grupo, segue com as vendas dos produtos feitos pelos alunos do segundo semestre do curso, durante a matéria de Métodos Projetuais. O intuito é arrecadar verba para pensar em novas atividades e aquisições. 

Para a presidenta da atual gestão, Julia Gabriela Tavares de Assis, e a vice-presidenta Amanda Bublitz, a popularidade do CA deve-se aos esforços para se fazerem presentes quando necessário, além da integração com os estudantes. “Somos um grupo que gosta de interagir, de ter um retorno sobre como vão as coisas. Talvez isso nos torne, de certa forma, especiais”, afirma Julia.

Elas também deixam um recado para os membros que virão, para ajudar a construir os próximos dez anos do curso. “O trabalho é duro, cansativo, mas sempre gratificante no final. É preciso ter persistência, mente aberta e ser muito flexível. Abraçar mudanças e ideias que vêm de fora. Nada deve ser descartado, tudo pode se tornar algo melhor”, complementa Amanda.

 

Revista D101 

Três edições da revista D101 foram impressas

Quem passa pelos cursos de comunicação da Uno conhece a sala D101. Para o curso de Design, a sala é referência e faz parte da história. É ela quem dá nome para a revista anual produzida pelos estudantes do 4º período, na disciplina de Projeto Editorial. A Revista D101 reúne atividades realizadas em diversas disciplinas durante o ano, e os alunos são responsáveis pela seleção do conteúdo e diagramação.

Três edições impressas foram produzidas, de 2016 a 2018. E em 2019, a revista passou a ser digital. O professor Alexsandro Stumpf, que orienta as produções, conta que é uma obra feita pelos estudantes, para os estudantes. “A edição de 2020 será comemorativa à primeira década do curso e vamos resgatar muitos conteúdos desenvolvidos ao longo dos 10 anos. É uma forma de documentar um pouco da nossa história”, finaliza.

 

*Estagiários da Acin Jornalismo sob supervisão de Eliane Taffarel

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