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Estudantes de Jornalismo apresentam pesquisas no maior congresso de comunicação

Educação

Texto Thais Dutra*

 

Diante de um cenário tão incerto, frente à pandemia de Covid-19, a única certeza verificada nos últimos meses foi a força tarefa realizada pelas instituições de ensino superior para garantir a continuidade do processo de ensino-aprendizagem. De um dia para o outro os corredores se esvaziaram e as salas de aula deram espaço às videoconferências. O campus ficou tão deserto ao ponto de parecer uma cidade fantasma, mas o ensino não desapareceu e o futuro de milhares de estudantes sobreviveu. 

A pandemia não estava no cronograma de nenhum estudante, professor, universidade ou evento acadêmico. A rotina frenética de atividades acadêmicas cedeu espaço ao distanciamento social. O projetor se transferiu da sala de aula para a casa dos estudantes, e o professor continua a um passo do aluno, aliás, a um clique de distância. Mesmo com tantas adversidades, o ensino remoto possibilitou a continuação do aprendizado neste ano tão atípico.

Apesar das restrições aos eventos presenciais, o Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - o Intercom -  tem data marcada para acontecer e promete ser a maior edição dos últimos quarenta anos. Pela primeira vez na história do evento, será realizado de forma remota, através de salas virtuais.

O Intercom Nacional 2020, organizado pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, será realizado entre os dias 01 e 10 de dezembro. O renomado e disputado congresso científico na área da comunicação nasceu em 1977 e desde então valoriza e divulga trabalhos interdisciplinares nas áreas de jornalismo, relações públicas, publicidade, rádio, televisão, cinema, conteúdo para mídias digitais e políticas públicas de comunicação.

Em 2020, o 43º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação traz como tema "Um mundo e muitas vozes: da utopia à distopia?". Um tradicional evento que reúne, normalmente, três mil participantes entre alunos da graduação, pós graduação, pesquisadores e profissionais. É considerado uma vitrine de bons trabalhos submetidos a criteriosa avaliação e posteriormente rigorosa seleção, que apresentam resultados de pesquisas relevantes para a sociedade e são compartilhados com outras regiões do país, o que torna o congresso referência na área da comunicação. 

A Unochapecó estará representada neste evento com vários trabalhos acadêmicos. Estudantes e egressos do curso de Jornalismo tiveram suas produções científicas aprovados no Congresso, todos sob a orientação da professora Ana Paula Bourscheid. “O Intercom é o primeiro passo do aluno na carreira científica e uma rica oportunidade de troca de experiências, rede de relacionamentos, verificação de novas possibilidades de pesquisa e fortalecimento da atuação profissional na área da comunicação”, afirma. Ana é pesquisadora na área de tecnologias, linguagens e inovação no Jornalismo, com ênfase no estudo que envolve a relação entre games e jornalismo, além de ser uma incentivadora da iniciação científica dentro da universidade.

Uma das estudantes selecionadas foi Mirella Schuch, do 8º período. Ela investigou o uso de smartphones pelos idosos. Segundo Mirella, o Censo do IBGE 2010 registrou a presença de 25 mil idosos em Chapecó. Esta informação foi o pontapé inicial para o desenvolvimento de sua pesquisa. Com uma ideia na cabeça e uma informação relevante, a acadêmica se surpreendeu com a interação dos idosos nas redes sociais, principalmente no Facebook. “Fico feliz em saber que essa geração está inserida na meio digital”, afirma. Já sobre a participação no evento, a jovem demonstra entusiasmo. “Participar de um mesmo evento com mestres, doutores, estudantes e cientistas e poder compartilhar a minha pesquisa me instiga e a expectativa é de muito aprendizado”, destaca.

A egressa Mariáh Dallelaste, por sua vez, trouxe à tona a cobertura esportiva do Campeonato Brasileiro de League of Legends de 2019 e buscou identificar quem são as pessoas que exercem a prática da cobertura jornalística nestas transmissões. “É a primeira vez que apresento um trabalho no Intercom e falar do meu tema de TCC é importante. Existem poucos jornalistas atuando nesta área e este trabalho é a oportunidade de incentivar que mais profissionais se insiram neste segmento, que está em crescente evolução”, afirma Mariáh.

Para a jornalista e egressa do curso, Vanessa Marquezzan, é um sonho de todo estudante de Jornalismo apresentar seu Trabalho de Conclusão de Curso no Intercom e levar ao debate o tema desenvolvido. Enquanto acadêmica, pesquisou sobre a propagação de fake news na área da saúde, mas reconhece que as falsas notícias estão presentes em todos os temas debatidos no espaço digital e cabe ao profissional jornalista alertar e ensinar como identificar essas informações inverídicas. O estudo traz como título 'Newsgame de letramento: a ludicidade como caminho para evitar a circulação de fake news na área da saúde'. "O estudo buscou ampliar o campo do jornalismo sobre o tema, dar visibilidade ao trabalho e despertar o interesse do combate às fake news", completa Vanessa. 

Mesmo com a pandemia, o Intercom vai acontecer e o universo do campo científico não ficará prejudicado. Em dezembro de 2020 os olhares estarão voltados para a telinha do computador e o conhecimento estará no patamar mais alto do reconhecimento científico. Pesquisadores continuarão sendo impulsionados por profissionais que acreditam no potencial dos estudantes e no desenvolvimento da área da comunicação.

 

*Estagiária da Acin Jornalismo, sob supervisão de Eliane Taffarel 

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