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Fórum Integrado traz palestrantes renomados em três dias de evento

Educação

Texto Gabriel Kreutz* e Ana Vertuoso**

 

"Temos que mudar a ideia de que a corrupção é um problema dos outros, ela atinge a todos enquanto sociedade. No momento em que nos omitimos e falamos que isso não é problema nosso, deixamos de melhorar a gestão pública e a aplicação dos recursos", conta o procurador da república e membro da Força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro, Rodrigo Timóteo da Costa. Ele, juntamente com o também procurador e integrante da Força-tarefa, Stanley Valeriano da Silva, ministrou a primeira palestra do II Fórum Integrado de Humanas e Jurídicas da Unochapecó. O evento foi realizado entre os dias 02 e 04 de setembro, no Centro de Cultura e Eventos Plínio Arlindo de Nes.

Os palestrantes falaram sobre combate à corrupção e participação social, além de abordar aspectos da Lava Jato. Ainda, segundo Rodrigo, o tema corrupção não está somente dentro do campo político. "Todos têm potencial para serem corruptos ou corruptíveis. Devemos reestruturar isso com uma política nacional e uma mudança cultural, para todos entenderem que devemos denunciar, desde casos suspeitos em uma prefeitura, até no governo federal".

Os procuradores falaram sobre corrupção e participação social

O procurador Stanley destaca que a corrupção existe há muito tempo e é um problema que atinge todo o mundo, porém, esse tema acabou ganhando mais visibilidade no Brasil conforme a Força-tarefa foi se intensificando. "De um modo geral, podemos dizer que nesses cinco anos de Operação Lava Jato no país e três anos dela no Rio, conseguimos trazer de volta um pouco de todo esse dinheiro desviado, alguns bilhões de reais, que ainda é pouco se comparado com a média anual desviada. A grande mudança da Lava Jato é que talvez, pela primeira vez, as pessoas sentiram que poderosos também poderiam ser afetados pela justiça criminal. Ela deixa de ser uma coisa só para quem está em situação muito marginalizada na sociedade", relata.

Apesar da experiência dos dois com grandes casos de corrupção, a mensagem que eles deixaram é sobre como pequenos atos assim afetam na nossa vida. "Cabe a cada um, como cidadão, não participar dessas ações, como pagar um guarda para não ser multado ou estacionar em uma vaga de deficiente, caso você não for. Também é importante denunciar atos de irregularidade ao poderes públicos, pois quando começamos a combater esse crime, ele se torna menos atrativo e interessante. Até determinado momento as pessoas só tinham o benefício da corrupção, agora elas começam a ver que isso também vai gerar problemas para elas", conclui Stanley.

 

Cenário da educação

O ex-ministro Renato Ribeiro falou sobre o contexto da educação brasileira

Na programação do evento, na terça-feira (03/09), o poeta e escritor Bráulio Bessa abordou a temática 'Poesia que transforma'. A palestra da noite de quarta-feira (04/08) ficou por conta do professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, Renato Janine Ribeiro. Ele é ex-ministro da Educação, e ministrou uma fala sobre o contexto da educação brasileira. No período da tarde, o professor também aproveitou a oportunidade para se reunir com representantes do Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Educação da Unochapecó, a fim de discutir mais sobre o assunto.

Durante o diálogo ele falou sobre o papel da educação na resolução dos atuais desafios enfrentados pelo país. Segundo ele, apesar de estudos mostrarem que a sociedade está cada vez mais ciente da importância crescente do conhecimento, a educação ainda não é uma prioridade para os brasileiros. Como resultado disso, outros setores podem ser atingidos, como é o caso da área econômica. 

De acordo com Renato, é preciso investir em ciência e tecnologia, não somente em indústrias. "Você pode industrializar um país e, mesmo assim, ele será extremamente dependente, porque ainda terá que comprar tecnologia de fora. Em relação a isso, o Brasil avançou bastante, se desindustrializou, e hoje é um exportador de commodities. Fazemos isso de forma melhor do que há 30 anos, mas não deixa de ser verdade que estamos mandando matéria-prima para ser processada. Esse é um problema muito grande que temos que enfrentar", acrescenta.

 

Dias de conhecimento

Na segunda edição do evento, mais uma vez os estudantes e professores compareceram em peso para prestigiar os palestrantes renomados, que trouxeram temas atuais e relevantes para as discussões dos cursos.

Integram a Área de Ciências Humanas e Jurídicas da Unochapecó, os cursos de Artes Visuais, Biblioteconomia, Ciências da Religião, Direito, Letras, Licenciatura Intercultural Indígena, Música, Pedagogia e Psicologia. Também estiveram envolvidos os Programas de Pós-Graduação stricto sensu em Direito, Educação e Políticas Sociais e Dinâmicas Regionais.

 

*Jornalista do Núcleo de Produção de Conteúdo (NPC) - Unochapecó

**Estagiaria sob supervisão de Gabriel Kreutz 

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