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Mais uma queda histórica na confiança dos consumidores chapecoenses

Mercado

O Índice de Confiança do Consumidor (ICC) de Chapecó registrou uma variação de -26,28% em março, recuando para 60,85 pontos. Em comparação ao mesmo período do ano passado, o índice segue mostrando redução (-36,35%). Com isso, o ICC alcançou o quarto menor valor de toda série histórica, a segunda variação mais expressiva já registrada, ficando atrás somente do mês de maio de 2020 (-45,53%), que foi o primeiro mês a registrar os efeitos negativos da pandemia sobre a confiança dos consumidores chapecoenses. 

O boletim é realizado pelo curso de Ciências Econômicas da Unochapecó, junto com o Sindicato do Comércio (Sicom). Neste mês, a amostra da pesquisa foi composta por 73 mulheres e 47 homens de diversas faixas etárias e classes de renda. A análise é segmentada também por características individuais dos consumidores: gênero, idade e renda. O levantamento foi realizado entre os dias 12 e 24 de fevereiro.

Neste mês, os consumidores chapecoenses se tornaram mais pessimistas em relação às condições econômicas atuais e também sobre suas perspectivas para o futuro. Esse comportamento parece ter ligação com um considerável aumento na preocupação com o cenário da pandemia, que em fevereiro registrou crescimento no contágio em níveis alarmantes para a cidade, gerando grande preocupação em relação a capacidade do sistema de saúde local. 

Os dados coletados mostram que 75,83% dos respondentes estão mais preocupados com a Covid-19 do que estavam no mês anterior, enquanto 18,33% mantêm o mesmo nível de preocupação e 5,83% estão menos preocupados. Segundo a professora Cássia Ternus, do curso de Economia da Unochapecó, as dificuldades observadas na saúde pública implicam diretamente na confiança dos consumidores e, consequentemente, na economia como um todo.

“Quase todas as respostas deste mês foram coletadas antes do lockdown parcial em Chapecó-SC, com isso, podemos perceber que, embora as atividades econômicas estivessem funcionando dentro de uma normalidade, a confiança dos consumidores estava significativamente menor. Logo, se não tivermos condições mínimas de saúde para a população, a economia também irá sofrer.”

Com relação ao aspecto econômico, tem-se que o projeto para autonomia do Banco Central foi aprovado pelo congresso em fevereiro, mas o mês também apresentou turbulências envolvendo a troca de diretores da Petrobrás. Além disso, fevereiro (mês em que foi feita a coleta de dados) é um mês tradicionalmente mais calmo para o comércio, no geral, e isso também pode ter influenciado negativamente a percepção dos consumidores.

Comportamento dos subíndices 

O Índice de Condições Econômicas (ICE) seguiu em queda e registrou a variação de -23,75% para março, levando o subíndice aos 60,58 pontos. Os resultados indicam que os consumidores estão menos confiantes com relação às suas finanças e às condições para aquisição de bens duráveis, se comparado ao mês de fevereiro.

O Índice de Expectativas de Consumo (IEC) também reduziu neste mês, chegando aos 61,02 pontos, correspondendo a uma variação de -27,75% em relação a fevereiro. O IEC mensura o sentimento dos consumidores com relação ao futuro, tanto da situação econômica pessoal quanto do país como um todo. Dessa forma, essa redução revela que os consumidores estão menos confiantes em relação aos próximos anos se comparado a fevereiro.

O Índice de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (IEIC) permite sondar o nível de obrigações a pagar ou em atraso que o consumidor possa ter. A variação deste subíndice foi de 1,94% neste mês, levando o IEIC aos 129,51 pontos. O resultado é positivo e está alinhado com uma diminuição no nível de endividados e/ou inadimplentes do município. Entre os 120 consumidores entrevistados, 75,83% têm alguma obrigação a pagar. Dos endividados, 9 consumidores (9,57%) também revelaram que estão inadimplentes, ou seja, com dívidas em atraso, especialmente com cartão de crédito e crédito em lojas.

Hábitos de consumo em meio à Covid

No mês de março, 56,67% dos respondentes afirmaram que após o fim da pandemia pretendem manter algum hábito de consumo adquirido durante a pandemia, enquanto 10% confirmaram que não manterão qualquer novo hábito. Ainda, outra parte dos participantes da pesquisa (12,50%) não modificaram qualquer hábito de consumo durante este período e 20,83% não souberam, ou não quiseram responder.

Sobre a vida financeira dos consumidores, 58,33% deles asseguraram que não houve alteração na sua renda em decorrência da pandemia, enquanto 32,50% constataram diminuição na mesma, 2,50% tiveram aumento e 6,67% não souberam ou optaram por não responder. Levando iso em conta, 26,67% dos participantes revelaram ter aumentado seus gastos extras em relação ao mês de fevereiro, 47,50% realizaram cortes de gastos extras, enquanto 10,83% realizaram cortes tanto em gastos extras como também em gastos essenciais, e outra parcela de 15% manteve o mesmo nível de gastos do mês anterior.

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